ESTÚDIO TRAMA DE ARTES IMPRESSAS Skip to main content

ESTÚDIO TRAMA DE ARTES IMPRESSAS

Enquanto lugar de divulgação e dinamização de manifestações artísticas e culturais, a TRAMA, ESTÚDIO DE ARTES IMPRESSAS desenvolveu um programa de residências artísticas denominado MONTRA. Um espaço expositivo onde serão apresentados trimestralmente pequenos projectos curatoriais que mostram o trabalho desenvolvido por artistas na Trama.

O projecto de cada Montra é da responsabilidade da Trama, sendo que a curadoria do projecto tanto poderá ser da Trama, como de pessoas ou entidades convidadas para tal, e que trabalharão em cooperação com cada artista selecionado. Em cada inauguração será produzida uma folha de sala sobre o projecto e artista, sendo que, poderão existir outros eventos como conversas, apresentações, lançamento de edições, entre outros. A cada inauguração começa também um novo processo de desenvolvimento e produção da Montra seguinte, deste modo cada projecto terá 3 meses para ser desenvolvido e 3 meses para ser exibido. O espaço dedicado à Montra no estúdio compreende toda a entrada, contudo esta não está restringida ao mesmo, podendo ocupar, além deste, qualquer outro espaço.

A TRAMA apresenta a MONTRA N.º 3 – Tenho a Impressão de Que Não Vai Dar Certo – uma exposição de TIAGO DE SÁ

 

23/07/2026 — 23/10/2026  

 

Tenho a Impressão de Que Não Vai Dar Certo resulta de uma pesquisa experimental sobre técnicas de impressão manuais em gesso e papel, e primeiras reflexões sobre os resultados obtidos.

Esta pesquisa e processo de trabalho atentam compreender mais sobre a viabilidade de uma prática que crie leituras sobre algo que não tem uma ideia predefinida por trás ou não segue uma maneira pré-estabelecida de ser executada. Um processo de interacção com o domínio do decorativo e a sua prática, criado para permanecer entre um escape ao manual do decorativo e à experimentação técnica envolta em questões meramente práticas. Até que ponto irá dar.

Estrada Florestal de Pandil

Estrada Florestal de Pandil

Acompanhar a distorção prolongada, resultante da absorção e secagem de elementos aquosos sobre materiais gipsíferos, determina a escolha e seleção do título da Montra N. 3, num processo de tentativa e erro para perceber se o resultado da impressão irá dar certo ou não. São os movimentos incontroláveis gerados pela fluência do material que geram as hipóteses e tentativas para a criação.

Ode a Vkhutemas

A prática desenvolveu-se através da produção de trabalhos em gesso que serviram como ponto de partida para compor peças de pequena escala – através da modelação, moldagem, assemblage, colagem, transferência de imagens e da impressão serigráfica – e que constituem o presente corpo de trabalho. Como contornar o decorativo da arte associado às criações em materiais gipsíferos? Quais são as técnicas utilizadas no artesanal associado às artes decorativas?

Ilhéu de Bivalves

Algumas das técnicas utilizadas para a construção deste corpo de trabalho tendem a direccionar-se para o campo visual do desenho – pela impressão de imagens e uso de materiais riscadores – pretendendo assim escapar às técnicas mais tradicionais da decoração como são exemplo a metalização, marmorização, découpage, decapê com nanquim, craquelê, borsatto e pátina duco, entre outras, muitas vezes associadas às artes manuais decorativas, com especial uso nas peças em gesso e barro.

À Procura do Mondego

Estas técnicas aqui experimentadas, pretendem assim brincar e contornar o manual de instruções e do passo-a-passo para a criação de diferentes acabamentos artísticos e, ao invés, explorar outros campos que afastassem o presente trabalho desse universo mais facilmente reconhecível e estabelecido na prática das artes decorativas.

Memória de Exsicatas

Assim, os presentes elementos repetem-se não através da ornamentação “cliché” em formato de ramos e flores e do rebuscamento excessivo – muito utilizados em acabamentos decorativos e associados a peças em gesso – mas, diferentemente, através das marcas que a própria técnica da modelação, moldagem, da impressão e do posterior riscamento criam sobre o formato. Estes vestígios balanceiam-se pela experimentação da composição e alteração dos materiais gipsíferos, pelos tempos de endurecimento e secagem, pelo rácio entre o sólido e o líquido, pela granulação, etc.

Playground

O estado final, gerado pelas várias etapas desta prática e processos, visa, em última instância, explorar as ambiguidades presentes na ideia de resultado. Deste modo, é dado ao observador a possibilidade de explorar leituras do resultado como sendo representações de ideias vagas, com pouca leitura e sem estarem assentes numa exploração de uma dada coisa ou assunto; como maioritariamente acontece nas artes plásticas. Não existe a finalidade neste trabalho de querer transformar a funcionalidade do decorativo numa outra coisa, ou em diferenciá-lo das artes plásticas. É uma forma de acção que se pretende compartilhada entre as artes decorativas e as plásticas, que se cruza no fazer e consequente exploração.

Estudo para Aerolito N.º2