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ESTÚDIO TRAMA DE ARTES IMPRESSAS

Enquanto lugar de divulgação e dinamização de manifestações artísticas e culturais, a TRAMA, ESTÚDIO DE ARTES IMPRESSAS desenvolveu um programa de residências artísticas denominado MONTRA. Um espaço expositivo onde serão apresentados trimestralmente pequenos projectos curatoriais que mostram o trabalho desenvolvido por artistas na Trama.

O projecto de cada Montra é da responsabilidade da Trama, sendo que a curadoria do projecto tanto poderá ser da Trama, como de pessoas ou entidades convidadas para tal, e que trabalharão em cooperação com cada artista selecionado. Em cada inauguração será produzida uma folha de sala sobre o projecto e artista, sendo que, poderão existir outros eventos como conversas, apresentações, lançamento de edições, entre outros. A cada inauguração começa também um novo processo de desenvolvimento e produção da Montra seguinte, deste modo cada projecto terá 3 meses para ser desenvolvido e 3 meses para ser exibido. O espaço dedicado à Montra no estúdio compreende toda a entrada, contudo esta não está restringida ao mesmo, podendo ocupar, além deste, qualquer outro espaço.

Assim Falou Zaratustra – Livro 2

Como parte do meu estudo filosófico, vinha me concentrando na obra de Friedrich Nietzsche há algum tempo. Quando terminei Assim Falou Zaratustra, fiquei tão impactado com a força dessa obra-prima literária e filosófica que senti que precisava transforma-la de uma obra de arte literária para uma obra de arte visual. Foi então que decidi criar esta série, com uma edição para cada um dos oitenta e um discursos do livro, inspirando-me nos Livros Iluminados de William Blake e nas impressões de Goya, acompanhado pelo seminário de C.G. Jung, realizado na década de 1930, sobre a obra-prima de Nietzsche do ponto de vista da psicologia analítica.

Guilherme Pontes

Das Kind mit dem Spiegel

“Porque me assustei tanto no meu sonho que acordei? Uma criança não se aproximou de mim, transportando um espelho? ‘Ó Zaratustra’, disse-me a criança, ‘olhaste-te ao espelho’. Mas quando olhei para o espelho, gritei, e o meu coração abalou: pois não era a mim mesmo que via, mas um esgar demoníaco e um riso de escárnio.”

 

Auf den glückseligen Inseln

“Para ser a criança que acaba de nascer, o criador deve também querer ser a mãe que dá à luz e as dores de quem a deu à luz.”


Von den Tugendhaften

“Vós que sois virtuosos ainda quereis ser recompensados! Quereis recompensas pela virtude, o céu pela terra e o eterno pelo vosso hoje?”

 

Vom Gesindel

“Em boa verdade, precisava de voar para as esferas mais elevadas para poder reencontrar a fonte do prazer.”

 

Das Tanzlied

“E encontrará também o pequeno deus de quem as raparigas mais gostam: à beira do poço jaz, imóvel, de olhos fechados. Em boa verdade, à luz do dia, adormeceu, o preguiçoso!”

 

Das Grablied

“‘Ali está a ilha dos túmulos, a ilha silenciosa; ali estão também os túmulos da minha juventude. Aí desejo carregar uma coroa perene da vida.’ Decidindo isto no meu coração, atravessei o mar.”

 

Vom Lande der Bildung (Schwarz und Blau)

“Se te tirassem os véus, os mantos, as cores e os gestos, restaria apenas o suficiente para espantar os corvos. Em verdade, eu próprio sou o corvo assustado que um dia te viu nua e sem cor; e voei para longe quando o esqueleto me acenou amorosamente.”

 

Von der unbefleckten Erkenntniss

“Ontem, quando a lua nasceu, imaginei que ela queria dar à luz um sol: tão ampla e fértil se estendia no horizonte.”

 

Von grossen Ereignissen

“‘Olhem lá!’, disse o velho timoneiro. ‘Aí está Zaratustra a descer ao inferno!’”